Os erros de inglês que quase todo brasileiro comete
Os erros comuns de inglês do brasileiro não são aleatórios: quase todos vêm direto da estrutura do português. Entender a causa de cada um é o que faz você parar de repetir.
16 de out. de 2026 · 6 min de leitura
Quem já corrigiu brasileiro falando inglês percebe uma coisa estranha: os erros são quase sempre os mesmos. Pessoas de cidades diferentes, cursos diferentes e níveis diferentes dizem I have 25 years, trocam o th por t e colocam um i no fim de Facebook.
Isso não é coincidência nem falta de estudo. É o português trabalhando por baixo do inglês.
Todo adulto que aprende uma segunda língua traz a primeira como molde. A boca já tem hábitos motores, o ouvido já tem categorias de som, a cabeça já tem uma ordem de frase pronta. O inglês entra em cima dessa estrutura e vaza por onde as duas línguas não combinam. Por isso os erros comuns de inglês do brasileiro são previsíveis: eles seguem exatamente os pontos em que o português é diferente.
Abaixo estão agrupados por causa, não por ordem de gravidade. Saber de onde vem é o que faz você conseguir desligar.
Pronúncia: o que o português faz com a sua boca
O "i" que aparece no fim das palavras
O português brasileiro quase não aceita sílaba terminada em consoante. As que sobrevivem terminam em s, r, l, m ou n. Qualquer outra consoante no fim ganha uma vogal de apoio para a sílaba fechar: hip hop vira hipi hopi, dog vira dogui, Facebook vira Feicibuqui.
Em inglês essas consoantes finais existem sozinhas, sem vogal nenhuma depois. A diferença parece pequena e não é: beach com vogal de apoio vira duas sílabas, e o ouvinte precisa reprocessar a palavra.
O ajuste prático é treinar o fim da palavra em silêncio. Diga stop, pare a boca no p fechado e não solte som nenhum depois. Faça o mesmo com like, that, big, job. A sensação de frase inacabada é justamente o que você tem que aprender a tolerar.
O H que o português apagou
Em português, h no começo da palavra não é pronunciado: hora, hotel, humano. O hábito segue para o inglês e house sai ouse, he sai i, hundred sai undred.
Em inglês esse h é um som real, um sopro. E ele é o que separa pares inteiros de palavras: eat e heat, air e hair, old e hold, I e high.
O TH que não existe em português
O português não tem os dois sons do th inglês, nem o surdo de think nem o sonoro de this. Como o cérebro só escuta bem as categorias de som que já tem, ele encaixa o th no som mais próximo que conhece: t, d, f ou s. Daí think virar tink ou sink, e this virar dis.
Para produzir, o truque é mecânico e sem elegância: ponta da língua tocando levemente a borda dos dentes de cima, e o ar passando. Think, three, thanks saem com a língua à mostra. Parece exagerado no começo.
O R do começo da palavra
Em boa parte do Brasil, o r inicial de rato ou rua é uma raspada na garganta, parecido com o h do inglês. Resultado: red soa como head, rice soa como hice, right soa como height.
O r inglês não encosta em lugar nenhum. A língua se enrola um pouco para trás, sem tocar o céu da boca, e o som sai quase como uma vogal. É um dos ajustes que mais mudam a percepção de quem ouve, e vale praticar isolado antes de tentar na frase. Mais sobre o conjunto desses traços em como o sotaque brasileiro soa para quem fala inglês.
Gramática: as frases que você traduziu sem perceber
Esse grupo é diferente do anterior. Não é a boca que falha, é a estrutura: você montou a frase em português e trocou as palavras uma a uma.
I have 25 years. Em português a idade se tem. Em inglês ela se é: I am 25 ou I'm 25 years old. A versão com have é compreensível e soa imediatamente como tradução literal.
People is. Povo e gente são singulares em português, e o reflexo passa para o inglês. Mas people é plural: people are, people think, people were. O singular existe e é outra palavra, person.
I am agree. Vem de "estou de acordo". Agree já é verbo em inglês, não adjetivo. O certo é I agree e, no negativo, I don't agree ou I disagree.
Depend of. Em português se depende de, e a tradução automática da preposição produz depend of. Em inglês é depend on. A mesma armadilha pega married with (é married to), arrive in Brazil para cidade (é arrive in para país e cidade, mas arrive at para aeroporto e prédio) e think in (é think about).
I have doubt. "Tenho uma dúvida" não existe nesse formato. Doubt em inglês é desconfiança, não dúvida de conteúdo. O que você quer dizer é I have a question.
Make a question. "Fazer uma pergunta" carrega o fazer para o inglês, mas pergunta em inglês não se faz, se pede: ask a question.
Preposição e verbo de apoio são a parte do inglês que menos obedece lógica. Não dá para deduzir, dá para decorar em bloco: aprenda depend on como uma palavra só, não como verbo mais preposição.
Palavras que significam outra coisa
Aqui o erro é de vocabulário, e tem uma causa específica: português e inglês carregam milhares de palavras com a mesma raiz latina, só que o sentido escorregou de um lado ou do outro ao longo dos séculos.
Actually não é "atualmente", é na verdade. Atualmente é currently ou nowadays.
Pretend não é "pretender", é fingir. Pretender é intend ou plan to.
Push na porta é empurre, não "puxe". Puxe é pull.
Costume não é "costume", é fantasia, roupa de personagem. Costume no sentido de hábito é habit ou custom.
Library é biblioteca. Livraria é bookstore.
Esses cinco são a ponta de uma lista bem maior, com casos que vão de inofensivos a desconfortáveis. Vale olhar os 25 falsos cognatos que enganam todo brasileiro antes de usar qualquer palavra parecida com o português na frente de alguém.
Ordem da frase
O último grupo é o mais invisível, porque não há palavra errada nenhuma: só a posição.
Adjetivo depois do substantivo. Em português é carro vermelho. Em inglês o adjetivo vem antes: a red car, nunca a car red.
Pergunta dentro de afirmação. O inglês inverte verbo e sujeito só na pergunta direta: Where is the station? Quando a pergunta vira parte de outra frase, a inversão desaparece: Do you know where the station is? O erro clássico, Do you know where is the station, vem do português, que mantém a ordem nos dois casos.
Advérbio no meio. "Eu gosto muito disso" vira I like very much this na tradução direta. Em inglês o objeto não se separa do verbo assim: I like this very much ou I really like this.
Dupla negativa. Não sei nada é correto em português e proibido em inglês padrão: I don't know anything, não I don't know nothing.
O que vale corrigir primeiro
Não dá para atacar os quatro grupos ao mesmo tempo, e eles não têm o mesmo peso.
Comece pelos que atrapalham a compreensão: a vogal de apoio no fim das palavras, o h inicial e o r. São os que fazem o ouvinte parar para reprocessar o que você disse.
Depois venha para as palavras trocadas, porque elas geram mal-entendido real: ninguém fica confuso com I have 25 years, mas I pretend to go comunica exatamente o contrário do que você quis dizer.
Preposição e ordem de frase ficam por último. São os erros mais visíveis no papel e os menos custosos na conversa. Quem escuta entende e segue em frente.
Continue lendo
20 gírias em inglês que nenhum curso ensina
Expressões que aparecem o tempo todo em conversa real, série e rede social, e que não estão no material do seu curso.
27 de out. de 2026
Como o sotaque brasileiro soa para quem fala inglês
O que caracteriza o sotaque brasileiro em inglês, como ele é percebido por quem ouve e qual parte dele realmente vale corrigir.
15 de out. de 2026
25 falsos cognatos que enganam todo brasileiro
Os falsos cognatos em inglês que mais pegam brasileiro, agrupados por tipo de confusão, com o que cada palavra significa de verdade e qual é a palavra certa para o que você queria dizer.
14 de out. de 2026